A ONG Zoé realiza, entre os dias 20 e 26 de junho, a maior operação médica simultânea de sua história no estado do Pará. A iniciativa engloba a 49ª e a 50ª expedições da organização, com a meta de alcançar cerca de 1.000 atendimentos especializados. As ações ocorrem no Hospital Municipal de Belterra e na Terra Indígena Zo’é, no município de Óbidos, reforçando o compromisso da entidade com as populações amazônicas.
Como a ONG Zoé atua nas comunidades de Belterra
A 49ª expedição da ONG Zoé acontece de 21 a 26 de junho, em parceria com a Prefeitura de Belterra. O mutirão reúne especialistas em áreas como cirurgia, dermatologia, pediatria, ginecologia, geriatria, pneumologia, radiologia, anestesiologia e psicologia. Além dos médicos formados, a equipe conta com dez estudantes de medicina de instituições renomadas, como USP, UFMG e Faculdade Sírio-Libanês.
O trabalho vai além das instalações do Hospital Municipal, estendendo-se de forma ativa às populações ribeirinhas e rurais. As equipes médicas se deslocam de barco para levar assistência presencial às comunidades do rio Arapiuns e do Lago da Praia. Na zona rural do município, a aldeia Munduruku de Bragança e os moradores de Aramanai também recebem esse suporte especializado.
Cuidados especiais da ONG Zoé com povos indígenas
Simultaneamente, nos dias 20 e 21 de junho, a 50ª expedição da ONG Zoé concentra seus esforços na Terra Indígena Zoé. O povo de recente contato, que inspirou o nome da instituição, recebe atendimento médico diretamente em seu território. Essa estratégia evita o deslocamento dos indígenas para centros urbanos, protegendo-os de agentes infecciosos aos quais não possuem imunidade natural.
A equipe multidisciplinar realiza procedimentos complexos no local, incluindo cirurgias de hérnia, consultas dermatológicas, avaliações operatórias e exames de ultrassonografia. Os pacientes foram previamente selecionados pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Guamá-Tocantins. Para garantir a segurança sanitária, todos os profissionais usam máscaras e passam por treinamento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI).
Logística e parcerias para viabilizar os atendimentos
Uma operação dessa magnitude exige uma rede sólida de apoio logístico e institucional na Amazônia. A Fundação Salvador Arena financia o transporte e a hospedagem dos profissionais até o Pará. Já o deslocamento aéreo para as áreas remotas é garantido pela Fundação Dieter Morszeck, que realiza sete voos em uma aeronave Kodiak 100 entre Santarém e a aldeia.
O presidente e cofundador da organização, Marcelo Averbach, destaca a importância dessa adaptação territorial para o sucesso da missão. “Chegar à 50ª expedição com duas operações simultâneas mostra que crescemos sem perder a capacidade de adaptação. São dois modelos de atendimento que servem ao mesmo compromisso: cuidar de quem cuida da floresta”, afirma o cirurgião.
Histórico de impacto na saúde da Amazônia
Fundada no final de 2019, em São Paulo, a instituição nasceu com o propósito de levar medicina especializada a populações vulneráveis do Pará. Até maio de 2026, o grupo já havia realizado 48 missões, somando mais de 27 mil atendimentos com o apoio de 449 voluntários. O foco de atuação abrange os municípios de Belterra, Aveiro, Óbidos e o oeste de Santarém.
A excelência do trabalho social é reconhecida por diversas premiações nacionais e internacionais de prestígio. Entre os destaques estão o Prêmio Humanizar Saúde 2024, o Prêmio Veja Saúde-Oncoclínicas 2025 e o Prêmio Expoepi 2026 do Ministério da Saúde. A entidade também possui certificação de transparência do Instituto Doar e passa por auditoria independente da BDO.

